Davi FJ e o rock parte 1

Primeira série na Lincoln Elementary School, conheço ninguém, não sei falar inglês direito, tenho que ir para aula de inglês como segundo idioma até a terceira série, onde conheci o meu primeiro amigo, Frank Vargas (causa de morte desconhecida, 2020). Não tem tia, avó, primo, só mãe, pai e 3 irmãos e igrejas brasileiras como a Bom Pastor e a Projeto Vida Nova. Nenhum homem é uma ilha, e a comunidade escolar e a igreja eram onde eu socializava, de onde eu tirava a minha validação. Não tinha espaço nas igrejas pra tocar ou me expressar; era um lugar apenas para seguir regras e as normas sociais. E a escola era um lugar apenas para ser humilhado pelos professores e pela galera mais popular, tirar notas baixas e ouvir sapo.

Um dia, no final de um rolê com a galera da minha rua, fomos ao show de talentos da escola. E foi lá que eu vi, pela primeira vez, bandas de rock compostas por alunos da escola, alguns dos quais até conhecia. Aí começou a minha jornada de banda pra vida. Já fazia aulas de batera, mas comecei a ouvir muito mais rock, aprender a tocar guitarra nos violões emprestados, baixo, e até ensinar os meus amigos só pra ter com quem montar uma banda.

Em 2004 comecei a jogar futebol americano, o que me ajudou a me enturmar com outros grupos e a criar mais autoconfiança. Também foi o ano em que toquei no show de talentos da minha escola, Harrison High School, com a banda “Untitled” (literalmente ‘sem título’ porque não tínhamos criatividade). Untitled era eu na batera, Abdiel (guitarra da Weatherfront) e Eric (morreu de overdose em 2016), e alguns cantores aleatórios que surgiram para dar uma força. O show foi horrível. Lembro que tocamos Burried a Lie e fiz uma batida pra um rapper fazer o rap dele até o policial de plantão lá ameaçar prendê-lo. Obviamente não tivemos colocação no concurso. Eu nunca havia estado tão estressado, suado e fedido como naquele dia. Os meus melhores amigos não aguentavam nem chegar perto de mim; só mostraram seu apoio de longe. E esse foi o meu primeiro show.

Não desisti. Resolvi continuar ensaiando, arrumei outro guitarrista, e fomos treinando para o Battle of the Bands da cidade vizinha, Kearny em 2005. A tocamos Pitiful, Chapter 4, Lipgloss in Black, Sugar, We’re Going Down e Niki FM quase todo dia depois da escola, porém, acabamos tocando só 3 dessas. Chegando perto do concurso, estávamos sem baixista e vocalista e a gente precisava de alguém da escola para podermos participar. Então combinei com o Paul, da banda do Frank, dele tocar baixo pra mim e em troca de eu tocar bateria na banda dele, Shadows of Lumier (conseguimos segundo lugar) e arrumei um vocalista da escola que era amigo meu recém transferido de onde eu estudava – ele não apareceu e isso fez com que fomos desqualificados. Mas, fora um gaffe, a gente tocou bem e eu me senti redimido. Até descobri que conseguia realmente tocar bateria e cantar na hora.

Eu finalmente tinha o reconhecimento da minha comunidade e estava com uma pequena fama entre os músicos de ser o melhor baterista da cidade. Eu jogava no time de futebol americano, estava ficando popular e bem visto pela galera da minha cidade. E aí me mudei para o Brasil em dezembro de 2005, onde ninguém me conhecia. Para não ficar muito grande o post, vamos deixar a minha história no Brasil para outro dia.

Davi FJ

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